Coletivo Chá das Cinco realiza intervenção nas ruas de Icó contra a violência na cidade

Debater o atual momento de insegurança em Icó através de uma encenação artística no espaço aberto das ruas icoenses.

Esta ação foi realizada, recentemente, pelo Coletivo Chá das Cinco, grupo local que busca divulgar e fomentar a cultura.

De acordo com o Coletivo, "nós não poderíamos ficar de braços cruzados vendo toda sorte de violência acontecer perante os nossos olhos e ficarmos calados. Mais do que isso, sofremos com essa violência tanto quanto os demais cidadãos que vivem em situação pior que a nossa".

A intervenção foi produzida por Alexia Yamanaka, fotografia de Chico Carneiro e Jerry Mauricio e realizado por Alexia Yamanaka, Luiz Pedro e Carlos Dias. De acordo com o informe do Coletivo Chá das Cinco, recentemente, a família da fotógrafa do grupo "sofreu uma violência terrível ao ser assaltados, ameaçados e trancados em seu banheiro por meliantes e simplesmente ninguém faz nada".

O caminho utilizado para debater a sensação de insegurança que a população de Icó vem atravessando aconteceu através de uma pessoa amordaçada e com camisa de força e cercada pela imagem da violência, em um revólver e uma pistola. 

Nesta intervenção, é destacada a  impotência da população do município diante do cotidiano de assaltos a mão armada, roubos, mortes, e a necessidade de reagir diante tudo isso.

"Somos jovens, tão jovens e não iremos permitir que sejamos cerceados dos nosso direitos como o de ir e vir, ter seguridade nas ruas e nas nossas casas – pois pagamos e caro por isso –, não vamos permitir que a violência que vem “de cima” transforme nossas vidas em meros cotidianos de medo e paranoia social. Não vamos permitir que nos calem e nos censurem, não vamos ficar com medo", destaca o Coletivo Chá das Cinco. Veja abaixo o comunicado do coletivo.


Funk do Assalto

Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba!
Bateu na minha cara
Na cara de meu irmão e da minha mãe,
O tiro foi pro meu pai.
Esse foi o bandido que nos assaltou.

E quem tá no camarote vendo tudo passar,
Com seu Uisque Passaport
Gastando dinheiro pra danar
São os poderosos do público:
O prefeito, o vice e os secretários,
Babões sectários
Que estão longe
Do tiro, porrada e bomba.
Sabem o que eles dizem:
— Beijinho no ombro!

O pior é saber,
Que eu desejo a todos eles vida longa,
Pra eles vejam cada dia mais a minha arte,
E um dia aconteça na casa deles
Os tiros, as porradas e as bombas
E depois se juntem a nós,
Meras estáticas do IBGE,
Para rimar e fazer um funk
Que os contemplem também!


Chico Carneiro


Da arte como expressão política e social

A arte fora desde as primeiras manifestações dos hominídeos um dos subterfúgios para dor, angústia, privações, etc. De lá pra cá, muito se evoluiu e muita coisa mudou mesmo. Inclusive a razão pela qual a arte deveria se manifestar.

Mallarmé – grande escritor francês – dizia que deveríamos fazer a “arte pela arte” e isso foi e é revolucionário, mas quando temos um real motivo para expressarmos toda nossa dor e indignação isso se torna mais verdade, real e palpável.

Cada de um de nós, independente de seu credo, convicção política, status social e profissão, têm família e não queremos que nada de mal aconteça a nenhum deles. Tenho plena certeza também, que o prefeito, a polícia, as secretarias municipais e seus secretários, os senhores comerciante e a fabulosa “elite” da nossa cidade sabem o que está acontecendo nas ruelas dessa cidade que definitivamente “parou” no tempo no que diz respeitos ao desenvolvimento humano, inclusão e segurança pública, sem fala na educação e cultura.

Não adianta ignorarmos o fato de que a violência está, sim, sendo trasladada das grandes cidades para os interiores e simplesmente ninguém faz nada, pois aqui, ainda reinam as injustiças, as polícias e políticas ineficientes que acham que vivem nas cidades fictícias de Ariano Suassuna e prefeitos corruptos que são conhecidos pela política de cabresto e um neocoronelismo que ganha força nas políticas de inclusão com remuneração para toda espécie de gente. 

Há um regime escravocrata imerso nessas políticas sociais paliativas, digo isso no sentindo de que os sujeitos contemplados por tais políticas estão completamente abjetos de suas funções como cidadão. E não por culpa deles, mas sim de uma governança que sambam em cima dos direitos dos cidadãos e utilizam o dinheiro público para suas festas particulares e fazendas de encher os olhos de qualquer latifundiário lá da região pantaneira.

Tirando esses pequenos detalhes, nós do Coletivo Chá das Cinco, não poderíamos ficar de braços cruzado vendo toda sorte de violência acontecer perante os nossos olhos e ficarmos calados. Mais do que isso, sofremos com essa violência tanto quanto os demais cidadãos que vivem em situação pior que a nossa. Recentemente, a família da nossa fotógrafa sofreu uma violência terrível ao ser assaltados, ameaçados e trancados em seu banheiro por meliantes e simplesmente ninguém faz nada.

Cadê a segurança pública dessa cidade?

Não é possível que uma cidade com uma zona urbana irrisória de pouco mais de 30 mil pessoas não conheça quem são os bandidos daqui.

O pior disso tudo é: todos sabem e sabem como resolver! O problema está exatamente na pouca importância que as pessoas têm uma com as outras. Resumi-se a velha e conhecida frase: “É cada um por si”.

Somos jovens, tão jovens e não iremos permitir que sejamos cerceados dos nosso direitos como o de ir e vir, ter seguridade nas ruas e nas nossas casas – pois pagamos e caro por isso –, não vamos permitir que a violência que vem “de cima” transforme nossas vidas em meros cotidianos de medo e paranoia social. Não vamos permitir que nos calem e nos censurem, não vamos ficar com medo.

Hoje, fomos nas ruas, com um número pequeno de pessoas manifestar artisticamente sobre a violência, não só a sofrida pela a família de nossa fotógrafa, mas por todos aqueles que já passaram ou irão passar por essa terrível experiência.

Manifestamos aqui toda a nossa indignação através da nossa arte e mais do que isso, manifestamos aqui o nosso grito de revolta por não termos ninguém que nos represente de maneira integra e respeitosa.

Acho que está na hora de descer do picadeiro do poder público e ir para o fronte de guerra. Nós do Coletivo Chá das Cinco somos poucos, mas conseguimos gritar alto, aliás... Bem alto!

Por tanto, cobrem de quem deve ser cobrado e exijam todos os seus direitos.

Basta de violência!

Chico Carneiro 
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Publicado por Jornalismo

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