Dilma indica filha de ministro do STF para desembargadora federal. Só por que é filha do ministro?‏

Vejam como as coisas funcionam nesse país. A filha de Marco Aurélio Mello cuja mãe Sandra de Santis também atua no judiciário, é desembargadora federal, foi indicada a desembargadora federal pela presidenta Dilma Houssef depois de concorrer a uma vaga pelo quinto constitucional vindo a compor uma lista tríplice elaborada por desembargadores do TRF-2 sendo a mais votada ao lado de outros dois colegas de profissão mais experientes.

Na lista sêxtupla elaborada pela OAB e enviada para o TRF-2, Letícia de Farias Mello ficou em segundo e seu principal concorrente em primeiro. Portanto, em que pese a influência do sobrenome que ostenta e a figura oculta do pai trabalhando a seu favor, o desejo da classe era ter Luis Henrique Antunes Alochio como o desembargador federal indicado. 

Foi somente depois que a lista chegou ao TRF-2 que houve uma modificação nas primeiras posições, Letícia indo para o topo da lista e Alochio ficando em segundo. Os desembargadores alteraram no voto o desejo dos advogados de terem Alochio no tribunal federal da segunda região como desembargador. 

Não há dúvidas de que o fato de ser filha de um ministro do STF foi fator determinante para que os desembargadores a colocassem no topo da lista, antevendo que a presidenta a indicaria seguindo uma tradição que nem eles mesmos respeitaram porquanto alteraram a posição da lista sêxtupla que tinha Alochio como primeiro. Desde Lula o planalto só escolhe aquele que estiver em primeiro lugar das listas enviadas para avaliação da presidenta.

O mero fato de figurar numa lista sêxtupla para concorrer a uma vaga pelo quinto constitucional da OAB já é uma vitória extraordinária e uma demonstração de força de interesses mesquinhos especialmente quando se sabe que a garota prodígio no esplendor de seus 37 aninhos ali não figuraria não fosse pelo sobrenome do pai que cabalou votos suficientes entre advogados para que a filha ficasse em segundo lugar, uma missão ajudada pelo séquito de advogados bajuladores que advogam ou têm interesses em causas defendidas no STF, sobretudo os das grandes bancas, completada pelo sobrenome da mãe que é desembargadora federal do TJDFT o que deve ter sido suficiente para fazer com que a lista sêxtupla enviada pela OAB sofresse alteração numa outra votação para formação da lista tríplice pelos desembargadores federais invertendo as posições anteriores: Alochio de primeiro para segundo e Letícia de segunda para primeira.

Essa mudança de posição foi fator determinante para a escolha de Letícia por parte da presidência já que há uma tradição nefasta adotada por Lula e seguida por Dilma de sempre indicar o primeiro de qualquer lista tríplice sem olhar as qualificações, posicionamentos ideológicos, o espírito de classe que predomina nessas corporações apinhadas de privilégios que quando chegam ao conhecimento da velha mídia deveriam ser fortemente denunciados em nome do interesse público mas são cuidadosamente guardados como moeda de troca para se fazer barganhas e chantagens como as que enredaram o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, uma blindagem somente possível se e quando quem detém tal cargo de poder se submeter aos interesses espúrios desses meios de comunicação.

No caso de Gurgel que saiu incólume de uma série de denúncias do senador Fernando Collor de Mello de haver prevaricado ao sentar-se em cima de duas grandes operações da PF que retardaram a eclosão do esquema de corrupção de Carlinhos Cachoeira e outros figurões da oposição o preço pago foi fazer uma denúncia contundente em desfavor dos réus da ação penal 470, o famigerado mensalão. 

A via de escape de Gurgel. Tivesse apresentado uma denúncia diferente conforme exigiam as provas dos autos teria sido escalpelado em praça pública numa campanha midiática que colocaria a PGR moralmente de joelhos perante a opinião pública.

Se Letícia Mello não fosse filha de quem é jamais seria indicada a desembargadora federal. Não na idade que tem, não pela experiência que lhe falta. Isso mostra o tipo de justiça que temos nesse país, funcionando à base do compadrio, do apadrinhamento. Uma justiça de elite para as elites. 

Uma jovem advogada que agora é funcionária pública de um cargo vitalício com salários e sinecuras na casa dos milhares, sem passar por concurso público, apenas por ostentar o sobrenome de um ministro do STF, membro de uma justiça aristocrática, colocada numa lista sêxtupla como a segunda mais votada por advogados classistas alguns dos quais com  atuação no STF, tendo livre acesso aos ministros daquela corte para fazer os ditos "embargos auriculares" que tanto influenciam as decisões de certos ministros e depois modificada pelos desembargadores do TRF-2 em cuja justiça federal trabalha a mãe da escolhida como desembargadora, portanto colega dos desembargadores que votaram em maioria no nome de Letícia para preencher a vaga , atropelando o desejo de toda uma classe representada pelos conselheiros da OAB que sufragaram o nome de Alochio posto que foi o primeiro lugar da lista da OAB e se não tivesse havido modificação na lista sêxtupla quando da formação para uma lista tríplice seria o indicado. O "acaso" impediu a indicação de Alochio.

E nossa presidenta? Ah, nossa presidenta! refém desse sistema político carcomido cumpre a parte que lhe cabe neste latifúndio, dá a canetada que finalizou uma situação que é uma tremenda infâmia em desrespeito aos outros dois advogados que concorreram com a filha do ministro apenas para dá ares de legalidade a uma escolha já de antemão conhecida, no afã de fazer um mimo ao ministro Marco Aurélio Mello para ver se distende a trincheira oposicionista infincada no STF e lá receba um melhor tratamento. Isso é Brasil e é assim que funciona.


* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira
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Publicado por Jornalismo

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