Denuncismo da oposição fortalece chantagens de partidos aliados ao governo

É lamentável que tenhamos mais uma eleição presidencial disputada em cima do denuncismo, pautando todo debate eleitoral até 5 de outubro, dia do comparecimento do eleitor as urnas para referendar a continuidade, o mais do mesmo. Só um desastre de proporções oceânicas seria capaz de impedir que a presidenta Dilma reeleja-se.

A oposição não consegue apresentar um programa de governo que contemple a maioria do povo. O que apresenta como proposta é um esboço que está em sintonia com o interesse do rentismo, da agiotagem internacional, a política do chamado Estado mínimo, da abertura total dos mercados e de sua completa desregulação para que as multinacionais aufiram lucros monumentais e expatriem nossas riquezas nos legando desemprego, a desvalorização do salário mínimo, a dita flexibilização dos direitos trabalhistas, o aumento do superavit primário, das taxas de juros, o receituário ultrapassado que levou o mundo a maior crise financeira de sua história e que os áulicos desse projeto insistem em defendê-lo e implementá-lo numa versão 2.0 repaginada e travestida de um furor que levará de roldão todas nossas estatais e porá fim a um amplo programa de políticas sociais que estão em execução.

Assim não conseguimos avançar na forma de melhorar as relações políticas entre congresso e governo. Estabelecer uma agenda mínima de prioridades votada pelos parlamentares sem que o governo seja obrigado a fazer da casa civil um balcão de negócios, a lançar mão de práticas fisiológicas a cada uivo desse moralismo udenista que fortalece o clientelismo da base e empareda o governo. O denuncismo da oposição serve ao propósito da chantagem do PMDB que encontra nisso o meio de afirmação de seus velhos interesses escusos por mais verbas, cargos e posições de poder, uma moeda de troca para tirar o governo das cordas, sob pena de levá-lo ao nocaute político.

Nenhuma CPI terá o condão de mudar o voto do eleitor. No máximo provocará um segundo turno diante da perplexidade, do noticiário massivamente incriminatório e desfavorável ao governo que polariza e divide o Brasil em contra e a favor dos governos petistas, forjando uma nação ainda mais enfraquecida pelos resultados da urnas pródigos em favorecer o PT por uma razão óbvia: O PT é o partido do povo. Para o bem ou para o mal o PT sempre estará na luta pelas bandeiras caras aos movimentos sociais, pela distribuição de renda e num segundo turno isso é o que fará o diferencial. 

Não interessa porém à presidenta Dilma vencer as próximas eleições num clima de conflagração institucional especialmente quando ainda sofremos os efeitos da grande crise e uma guerra psicológica está em curso provocando instabilidade nos mercados de capitais e oscilações na bolsa.

Apostar na máxima do quanto pior melhor ao colocar na alça de mira a maior empresa nacional por meros motivos eleitorais na ausência de um programa de governo consistente que convença o eleitor a mudar de opção política, é um tiro que sairá pela culatra ainda mais quando se sabe que os proponentes da CPI da Petrobrás primam pela desfaçatez e nos governos que estão à frente nenhuma investigação prosperou. Vide o esquema de propina do trensalão que não merece dos nossos aguerridos parlamentares, imprensa e candidatos de oposição o mesmo tratamento que se pretende dá a Petrobrás.

Daí porque o PMDB tira o máximo proveito para barganhar. Primeiro negociando candidaturas nos Estados onde o PT lançaria candidato próprio e que diante da atual conjuntura se vê obrigado a desistir em troca de apoio para controlar a CPI elastecendo seu objeto para incluir outros temas que tenham potencial de atingir a oposição e o desgaste se dilua, além de liberar mais verbas, ministérios, cargos nos escalões inferiores, negociar a presidência da câmara que pelo sistema de rodízio seria do PT mas pode cair no colo de Eduardo Cunha, o suprassumo de tudo que há de mais podre e nefasto na política.

Resumo da ópera: os costumes políticos permanecerão inalterados. Quanto mais a oposição se apegar ao denuncismo desenfreado contra o governo, melhor para os partidos da base aliada que sempre terão uma moeda de troca para novas negociatas e o governo encurralado não terá outra coisa a fazer senão ceder. Ou cede ou vai para luta política debater com a sociedade, um custo muito elevado e cujos resultados serão imprevisíveis. Melhor a política da redução de danos do que o enfrentamento numa quadra em que todo o establishment caminha de mãos dadas com a oposição.

A oposição prestaria um enorme serviço a nação se discutisse o governo, apresentasse uma alternativa viável a esse projeto. Saísse do círculo vicioso do denuncismo gratuito e inconsequente que só piora as práticas políticas entre governo e base aliada à medida que mais denúncias significam mais dependência do governo aos velhos costumes dos caciques do PMDB e cujos efeitos são praticamente nulos como demonstra a experiência das CPIs abertas durante o estrepitoso caso do mensalão, uma até batizada de CPI do fim do mundo e que não impediu Lula de reeleger-se presidente da República.

Insistir no mesmo método de atuação política já usado tanto por Alckmin como por José Serra é um suicídio eleitoral e o pior é que em caso de derrota o que fica é a pecha de uma oposição sem projeto, não restando uma única ideia capaz de ser aproveitada pelo governo num eventual segundo mandato.


* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira
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Publicado por Jornalismo

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