Centenário de Dragão do Mar e abolição dos escravos são celebrados na Assembleia

Por iniciativa dos deputados Lula Morais [PCdoB] e Rachel Marques [PT], a Assembleia Legislativa realizou, no último dia 24, sessão solene em homenagem ao pescador Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, pela passagem do seu centenário de morte, e pelos 130 anos da abolição dos escravos no Ceará. 

A solenidade foi aberta com o Hino Nacional, cantado ao som de berimbaus e em uma roda de capoeira. Em seguida, houve um cortejo do maracatu Ás de Ouro. A cantora Aparecida Silvino também se apresentou durante o evento. 

A mesa que dirigiu os trabalhos foi presidida por Lula Morais e Rachel Marques e composta pelo procurador de Justiça João Cortez; pelo vice-reitor da Universidade Lusófona Afro-Brasileira [Unilab], Fernando Afonso Ferreira Júnior; pelo presidente do Conselho Nacional de Praticagem [Conapra], Ricardo Falcão; pela professora e pesquisadora Lusirene Ferreira; pelo coordenador da Igualdade Social de Fortaleza, Cristiano Pereira, e pelo babalorixá Ivanir dos Santos. 

Lula Morais lembrou que a história da luta abolicionista no Ceará iniciou em 1879, com a participação do movimento dos jangadeiros, liderados por Chico da Matilde, o Dragão do Mar. Eles, segundo Lula, negaram-se a continuar o transporte, para os navios negreiros, dos escravos vendidos para o Sul do País. “No dia 25 de março de 1884, o Ceará tornou-se a primeira província a abolir a escravidão. Foi a luta do povo, de Cândido Maia, Bezerra de Menezes, Maria Tomásia, Dragão do Mar e de tantos outros cearenses”, frisou o deputado.

Conforme observado por Lula, o Ceará ficou conhecido como Terra da Luz por conta da abolição pioneira. “O escritor francês Vitor Hugo também saudou o acontecimento, e, no Rio de Janeiro, mais de 10 mil pessoas estavam mobilizadas para enaltecer o fato”, disse. 

Rachel Marques disse que a data é importante não só para destacar o fato histórico, mas também para lembrar a realidade que ainda se vive no que diz respeito à desigualdade social. “Estamos assistindo o extermínio de nossa juventude negra”.

Ela destacou casos recentes, como a morte da trabalhadora negra Cláudia Silva, que teve seu corpo arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro, e as manifestações de racismo nos campos de futebol. “Nós precisamos nos mobilizar para evitar o extermínio desses jovens negros, que compõem as estatísticas de assassinatos”, frisou.

O deputado federal João Ananias [PCdoB-CE] disse que houve sessão semelhante na Câmara Federal. Na ocasião, “saudamos o nosso querido Chico da Matilde e Abdias Nascimento, ex-senador da República e autor de lei que assegura direitos das populações negras”, informou. 

Foram homenageados o Conapra, a Fundação Cultural Palmares, o Instituto Dragão do Mar e a Unilab, além de representantes de manifestações da cultura negra, do maracatu e da capoeira. Foi também lançado o livro "Nas Asas da Imprensa", da pesquisadora e escritora cearense Lusirene Ferreira. A obra trata da repercussão, nos periódicos da corte imperial, da abolição no Ceará.



* Com informações da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa
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Publicado por Jornalismo

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