Preferimos os bandidos

Caros leitores, não se assustem com essa afirmativa que é o título desse artigo, mas, de fato, prefiro os bandidos aos policiais e digo-lhes o por quê.

Um das principais funções do Estado é promover a segurança do cidadão e acima de tudo, garantir que seus direitos sejam todos exercidos dentro do que promete a lei, daí surge a polícia como uma força promotora e extensiva do Estado para abalizar mais ainda esses direitos, tais como: o direito de ir e vir, de ter segurança, etc...

No entanto, o que se percebe é que, mesmo sabendo dessas funções do Estado e tendo a plena convicção que os policiais também as conhece isso não garante segurança alguma a determinado grupos de pessoas como: gays, travestis, negros e pobres [marginalizados].

Vejam este caso:
Ontem [27 de março] à noite, estávamos reunidos como de costume na praça do Pr. Cícero num grupo grande amigos, em sua maioria gays, também haviam algumas mulheres. Como sempre fazemos, estávamos conversando e tomando algumas cervejas. 

Uma viatura do Ronda do Quarteirão e uma viatura da Polícia Militar de Icó param na praça e de armas em punho pedem para que somente os homens encostem-se à parede e as mulheres se afastem – na fala dos polícias dirigida as mulheres foi escutado a seguinte sentença: “vamos, vamos, se não leva bala!”. 


Enquanto essa cena acontecia percebi que um dos policiais que passava por trás de nós ria da situação com deboche, haja vista que se tratava de uma turma de gays e que eles muitas vezes nos viram lá, paravam e viam que não éramos vândalos ou bandidos e apenas pediam para que não sujássemos o local e mantivéssemos a ordem. Porém ontem foi diferente, eles descem e começam a famosa “diligência”. 

Um dos policiais revista um amigo meu, depois meu irmão, logo após a mim e depois veio a revista um amigo chamado Tales – gay, estudante de educação física e professor - . Sem nenhuma causa aparente ele começa a gritar: “Ta me tirando a pagode é!”. 

Na sequência esbofeteia meu amigo por diversas vezes. Ainda tentei argumente dizendo que a atitude dele estava errada, que se tratava de um abuso de autoridade. Eu olhei em direção ao policial do ronda que se encontrava mais atrás na tentativa de que ele intervice na situação, mas nada aconteceu. Ele simplesmente balançou a cabeça com um sinal de negativa pela atitude do outro estúpido policial. Mas nada fez.

O melhor vem agora. Diligência e tapas na cara concluídas eles em tom agressivo, arrogante e se achando o detentor de todo o poder do universo, grita diversas vezes com todos nós, mandando a gente ir pra casa. Com armas em punho o tempo inteiro.

Ficamos petrificados com tanta estupidez e fomos andando em direção a casa de um dos nossos amigos. Não satisfeitos ainda, vieram em nossa direção e mandaram novamente irmos para casa, pois caso contrário seriamos agredidos.

CONCLUSÃO DISSO:
Entre as pessoas que foram revistadas estavam psicólogos, professores, estudantes entre outras profissões. Não somos bandidos para sermos tratados daquele jeito. E mesmo que fossemos, existem leis para punir através da restrição da liberdade e não com agressão física. O mais interessante disso tudo é que ele bateu especificamente num gay.

Já estive em roda de amigos, conhecidos e diversas pessoas e sempre fui muito cauteloso com tudo e ficava assustado quando estávamos com pessoas que aparentemente diziam-se perigosas. Mas depois do evento de ontem percebi que nosso maior perigo não está na favela, no marginal ou até mesmo no bandido. O Estado está gangrenado por uma parcela considerável de gente estúpida como esse policial, e tudo a nossas custas.

Pagamos os salários dessas pessoas para ser garantido a nossa segurança e não sairmos apanhados numa simples diligência.

A única coisa que senti foi medo!

Que contradição não é! Eu senti medo da polícia, mesmo sendo uma pessoa honesta e íntegra. Assim como o meu amigo que apanhou, eu também me senti apanhando junto.

Que absurdo!

Agora eu entendo porque algumas pessoas se sentem mais seguras com os bandidos do que com os policiais.

A policia brasileira é criminosa sim! Tem culpa no cartório e mata mais do que qualquer guerra armada que há por ai.

Ela não nos protege, ela mata e condena mais ainda a uma condição marginalizada aqueles que já se encontram na subalternidade.

Entendemos perfeitamente que temos também um dos piores salários e condições de trabalho para policiais, mas nem por isso eles devem agir desse modo. Já imaginou se os professores agissem desse modo, haja vista que temos uma condição ainda pior do que a deles?

Isso tudo é um absurdo!

Por isso deixarei aqui alguns desejos:

Que o narcotráfico assuma logo de vez o comando do país e mostre que quem dá as ordens são eles mesmos, pois no final das contas os baluartes da política brasileira mantém subalternidade aos grandes “barões do pó”. Que as favelas sejam o pathernon dos novos cidadãos brasileiros e que tragam revolveres empunhado nas mãos. Que os marginais encarcerem os políticos e os lideres das igrejas. Que os bandidos condenem todos os policiais e mostrem quem são os contraventores de fato.

Há um Estado paralelo ao mundo real e esse ser bandido ainda é a única alternativa de ver, de fato, o mínimo dos seus direitos cumpridos.

Rogo aos céus: Derrubem o Estado e promovam a rebelião!


* Texto escrito e enviado por Wellington Carneiro - Licenciado em Letras pela UECE e Mestre em Letras pela UERN
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Publicado por Jornalismo

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