Exposição “Percursos Urbanos” é aberta ao público no Palácio da Abolição

“Percursos Urbanos” por Zé Tarcísio é a exposição em cartaz na galeria do Palácio da Abolição, com visitação pública gratuita a partir da última sexta-feira [21]. 

A convite da Casa Civil do Governo do Estado do Ceará, o artista cearense apresenta 21 obras inéditas, sob curadoria do próprio Zé Tarcísio e com produção de Luis Carlos Sabadia. “Percursos Urbanos” traz uma série de paisagens em acrílicos sobre tela que brincam com a perspectiva.

São 15 grandes quadros em escala de 3m x 1.80m, que tomam o espaço implantado na galeria do Palácio, área que recebeu tratamento cenográfico para comportar e dar mais visibilidade às peças de maior dimensão, enquanto outras seis (06) obras no tamanho médio de 95 cm x 65cm se resguardam na sala menor, dentro da mesma área.

Nascido em Fortaleza no dia 08 de fevereiro de 1941, Zé Tarcísio há 53 anos expressa suas artes por cá e pelos mundos vizinhos, ao interpretar vivências, multiplicando-se como artista gráfico, plástico, ator e reinventor de si mesmo. Entre idas e efetivos retornos, o cearense pousou novamente o olhar pela cidade natal para seguir à frente nesses “Percursos Urbanos”, pinturas em que guarda memórias e expande transições. 

Ele exalta que “essa exposição fecha um ciclo”, e apesar de inaugurar nova fase na sua pintura, atenta que a temática central da mostra já lhe acompanha há muito os caminhos artísticos. “As paisagens sempre me fascinaram, e desde os anos 1960 mergulhei nessas “landscapes”, nas vistas, primeiramente na linguagem da época com um foco ecológico e de denúncia. Nos anos 1980, as paisagens citadinas retornaram com “Vôos Noturnos”.

Já “Percursos Urbanos” traz visões de seus trajetos pela capital, como exulta as transmutações que a cidade sofreu, mesmo sem situá-la explicitamente nas cenas, e convoca ainda o público para identificar nas 21 telas, novas percepções e apropriações pelas imagens. O multiartista é um repórter plástico, que aponta na mostra “Percursos Urbanos” os trânsitos que trilhou nos últimos tempos, junto à bagagem renovada de lembranças.

Por muitos anos Zé Tarcísio morou onde até hoje mantém o seu ateliê, no bairro Praia de Iracema, ao lado do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, “local em que tudo acontecia lá por perto”. Há três anos, mudou de residência para a Cidade 2000, transferência que lhe obrigou a mais tráfegos de idas e vindas aos locais de trabalhos e afazeres. 

A circulação diária pela cidade lhe permitiu - como atento utilitário dos ônibus que é – deixar o olhar viajar pelas paisagens, linhas, paradas e itinerários, que ao invés de entediá-lo ou se irritar nos engarrafamentos, fez com que vislumbrasse as mudanças da cidade, as interferências, entre automóveis e edifícios, que viraram os registros de momentos e movimentos que encena na exposição em cartaz.

EXPOSIÇÃO Suscitações ao artista e ao espectador é o que Zé Tarcísio se propôs e expõe. Ao compor em 2012 o rico acervo de imagens que se transformariam nas obras da exposição “Percursos Urbanos”, ele logo se impôs desafios: fazer uma série de pinturas em dimensões grandiosas, com poucas cores, usando predominantemente o preto, branco e alguns tons de cinza, unindo outra instigação predeterminada para que a cada olhada nas ‘paisagens’ pintadas, novas imagens fossem vistas. 

“A obra puxa conversa com quem a olha”, e invoca o público a ver pinturas abstratas no primeiro instante, mas ao voltar a vista pausadamente pela obra, descobre figurações e no diálogo com as cenas em perspectivas, chega-se ao que o artista realmente pretendeu: “uma provocação visual”.

Assim, o artista pede que se alonguem em olhadas, por mais uma e outras vezes, por todos os ângulos de cada quadro, pois assim verão nas 21 obras até mais do que pincelou nas telas de “Percursos Urbanos”. As captações em cada obra se transformam e se multiplicam em variadas impressões. 

Os caminhos ditados por Zé seguem a trompe-l'oeil [técnica que usa truques de perspectiva para criar ilusão óptica na mostra de objetos, cenas ou formas que não existem de fato] e se afinam nas evoluções do uso seleto de cores, em cartela reservada no preto, branco e cinza, cujos contrastes extremos do P&B impactam na intensidade que promoveu uma revolução na fotografia dos anos 1960 ao se firmar como arte visual e contribuir, inclusive, em inspirações à Pop Art. “Vivi todos esses períodos”, lembra-se Zé Tarcísio, que inova os entretons e renova interações para fulgurar a urbe em múltiplas situações nos seus “Percursos Urbanos”.

Para a exposição “Percursos Urbanos” o espaço do grande salão usado para amostras artísticas no Palácio da Abolição ganhou suportes para abrigar as portentosas obras de Zé Tarcísio. Quando surgiu o convite, avistou na galeria do Palácio da Abolição “uma coincidência de intenções, e que o local da exposição era ali mesmo!”. No entanto, para integrar ao local as peças em tamanhas dimensões, deu vazão mais intensa ao espaço para apresentar todas as 21 obras com unidade; qualificar a visualização das mesmas e conceber melhor a circulação para os vislumbres do público.

Assim, para a montagem de “Percursos Urbanos” na galeria do Palácio da Abolição, ergueram “paredes” e vias em trajetos de alvo tom, que agigantam o já alto pé direito, transformando o local, onde, ao final do trajeto pelas obras, os visitantes terão ainda outra surpresa de Zé Tarcísio, que estará sempre por lá em agradecimento às presenças.


* Com informações da Coordenadoria de Imprensa e Comunicação do Governo do Ceará
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Publicado por Jornalismo

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