Governo do Estado comemora Dia do Ceará com atividades em Aquiraz e Fortaleza

O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, comemorou na última sexta-feira [17] os 215 anos de emancipação do Estado. 

A programação comemorativa ao Dia do Ceará foi realizada no município de Aquiraz, primeira capital do Estado, na Praça da Matriz, com apresentação da banda municipal, e em Fortaleza, com a exposição fotográfica sobre a feitura de rabeca pelo Mestre Vino, luthier de Irauçuba, no Museu do Ceará.

O dia 17 de janeiro faz parte do calendário oficial de eventos do Estado por meio da Lei nº 13.470, de 18 de maio de 2004, que instituiu a data comemorativa que referencia o dia em que o Ceará ganhou autonomia da Capitania de Pernambuco, em 1799.

A emancipação do Ceará foi garantida por Carta Régia assinada pela Imperatriz de Portugal, D. Maria I, em virtude do crescimento populacional e econômico que a antiga capitania do Ceará apresentava em 1799. A lei estadual determina a realização anual de um evento oficial em Aquiraz, primeira capital do Estado, por ocasião da data. Além disso, órgãos e entidades da administração estadual, assim como as escolas da rede pública estadual de ensino, devem promover o Dia do Ceará.

MOMENTOS HISTÓRICOS Em 1817, os cearenses, liderados pela família Alencar, apoiaram a Revolução Pernambucana. O movimento, que se restringiu ao Cariri, especialmente na cidade do Crato, foi rapidamente sufocado. 

Em 1824, após a independência, foi a vez dos cearenses das cidades do Crato, Icó e Quixeramobim demonstrarem sua insatisfação com o governo imperial. Assim eles aderiram aos revoltosos pernambucanos na Confederação do Equador.

No século XIX, vários fatos marcaram a história do Ceará, como o fim da escravidão no Estado, em 25 de março de 1884, antes da Lei Áurea, assinada em 1888. O Ceará foi, portanto, o primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão. 

Um cearense se destacou nessa época: o jangadeiro Francisco José do Nascimento, que se recusou a transportar escravos em sua jangada. José do Nascimento ficou conhecido como Dragão do Mar, atualmente nome do maior centro cultural do Estado, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

Entre 1896 e 1912, o comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly governou o Estado de forma autoritária e monolítica. Seu mandato ficou conhecido como a política aciolina, que provocou o surgimento de diversos movimentos messiânicos, alguns deles liderados por Antônio Conselheiro, Padre Ibiapina, Padre Cícero e o beato Zé Lourenço. Os movimentos foram uma forma que a população encontrou de fugir da miséria pela qual passava a região. Foi também nessa época que surgiu o movimento do cangaço, liderado por Lampião.

Nos anos 30, cerca de três mil pessoas se reuniram, sob a liderança do beato Zé Lourenço, na região no sítio Baixa Danta, em Juazeiro do Norte. O sítio prosperou e desagradou a elite cearense. Em setembro de 1936, a comunidade foi dispersa e o sítio incendiado e bombardeado. O beato e seus seguidores rumaram para uma nova comunidade. Alguns moradores resolveram se vingar e prepararam uma emboscada, que culminou num verdadeiro massacre. O episódio ficou conhecido como “Caldeirão”.

Nos anos 40, com a Segunda Guerra Mundial, foi montada uma base norte-americana no Ceará mudando os costumes da população, que passou a realizar diversos manifestos contra o nazismo. Também na mesma década, o governo, a fim de estimular a migração dos sertanejos para a Amazônia, realizou uma intensa propaganda. Esse contingente formou o “Exército da Borracha”, que trabalhou na exploração do látex das seringueiras. Milhares de cearenses migraram para o Norte e acabaram morrendo no combate entre Estados Unidos e Aliados com os exércitos do Eixo, sem os seringais da Ásia para abastecê-los.

MESTRE VINO A exposição no Museu do Ceará é composta por treze fotografias de Francisco Sousa, com curadoria e apresentação do professor Gilmar de Carvalho, incluindo ainda a apresentação de um vídeo de 15 minutos que conta o passo a passo da arte de Mestre Vino, produzido por Darwin Brandão, Helena Martins, Igor Caracas e Chico Célio Vieira. "Silvino Veras d'Ávila [1917-2013]. 

Mestre Vino foi dos mais importantes e atuantes fabricantes de rabeca que o Ceará já teve. Começou como carpinteiro, fazendo telhados, portas, móveis e aviamentos para casas de farinha. Depois, teve a ideia de construir uma rabeca, porque um primo comprou um instrumento, e ele quis também fazer a festa. Fez tantas que perdeu a conta. 

Tocou nos reisados, acompanhando as danças de São Gonçalo e as “mungangas” dos mamulengos que se apresentavam pelo sertão. Foi na luteria [arte de fabricar rabecas] que ele deixou sua grande marca. Fez rabecas que se espalharam por todo o Ceará. 

Usava umburana, recorria a instrumentos precários, tinha suas formas e moldes. Mestre Vino tinha um jeito muito especial de fazê-las. Depois de prontas, vinha seu toque mais especial: espremia uma esferográfica de cor vermelha e misturava a tinta com o verniz. Era sua marca registrada, uma espécie de assinatura das rabecas que fazia.


* Com informações da Assessoria de Comunicação da Secult
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Publicado por Jornalismo

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