Pedagogia da Leitura: Mudanças de Paradigma em Foco

Consoante Albuquerque [2006] e Barbosa & Souza [2006], por muito tempo, as práticas pedagógicas do ensino da leitura primaram pela Decodificação, aderindo, assim, à extração e, acima de tudo, à reescrita de conteúdos e informações explícitos nos textos. 

O ensino da leitura focava, portanto, em Práticas Mecânicas de Reprodução. Havia, ainda, uma prática mencionada por uma vasta quantidade de autores da Linguística Aplicada e da Pedagogia - Albuquerque [2006], Bezerra [2001; 2010], Cardoso [2003], Kleiman [2004], Santos [2002] etc. – de O Texto como Pretexto. Este assume, nesta perspectiva, a incumbência de suporte didático, para práticas pedagógicas normativas e prescritivas.

Destaca-se, ainda, o fato de a Diversidade Textual não ser algo presente nas práticas pedagógicas do ensino da leitura. Barbosa & Souza [2006] e Soares [1998] postulam que o texto literário foi, durante décadas, o único gênero textual presente no cenário pedagógico, o que erradicava a presença da variedade textual nos espaços escolares. Tais práticas estiveram presentes no cenário educacional, fazendo com que os discentes não tivessem acesso a múltiplas experiências de leitura e a diversos gêneros textuais.

De acordo com Albuquerque [2006] e Albuquerque et al. [2008], nos anos de 1980, as discussões acadêmicas tocantes à escolarização leitor expandem-se consideravelmente, acarretando, deste modo, o despontar de novos paradigmas para o ensino desta competência linguística. 

Os autores mencionados acima citam os postulados pedagógicos [Pedagogia], linguísticos [Linguística], psicológicos [Psicologia], filosóficos [Filosofia] e sociológicos [Sociologia] enquanto proponentes de novos paradigmas para a prática pedagógica do ensino da leitura [ALBUQUERQUE, 2006; ALBUQUERQUE et al, 2008]. Ou seja, tais paradigmas acarretam novos modelos atinentes ao ensino desta ferramenta linguística.

Na ótica de Albuquerque [2006], Koch & Elias [2006] e Santos [2002], a leitura vai assumir, a partir deste novo contexto paradigmático, a incumbência de ato de Construção de Sentido. Ato este advindo da articulação/ junção autor e leitor, necessitando, para isto, da mediação do texto. 

Há, também, nesta perspectiva de leitura, marcas cognitivas, bem como saberes do leitor. Para Koch & Elias [2006] e Santos [2002], a leitura enquanto elaboração/ produção de sentido se dá mediante ao uso de saberes por parte do leitor – Conhecimento Linguístico, Enciclopédico e Interacional. Atrelado a isto, o leitor faz uso de uma gama de práticas cognitivas, tais como: Antecipação, Dedução, Elaboração/ Formulação de Hipóteses, Inferência, Paráfrase, Seleção etc. [KLEIMAN, 2008; KOCH & ELIAS, 2006].

Destaca-se, também, a inclusão da Diversidade/ Variedade Textual nas práticas pedagógicas do ensino da leitura. O ensino desta ferramenta linguística passa, então, a fazer uso de uma vasta seleção textual, como, por exemplo: Anúncios, Cartas do Leitor, Cartuns, Charges, Cordéis, Fábulas, Gráficos, Histórias em Quadrinhos – HQS, Mapas, Notícias, Propagandas, Receitas, Reportagens, Textos Expositivos Argumentativos, Textos injuntivos, Textos Literários, Tirinhas etc.. Tudo isto ocasiona não só novas práticas pedagógicas para o ensino da leitura, mas, sobretudo, modificações na forma como o leitor dá sentido às informações e elabora significação perante o texto.

Referências:

ALBUQUERQUE, E. B. C.. Mudanças didáticas e pedagógicas no ensino da língua portuguesa: apropriações de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

ALBUQUERQUE, E. B. C.; MORAIS, A. G.; FERREIRA, A. T. B.. As práticas cotidianas de alfabetização: o que fazem as professoras? Revista Brasileira de Educação, v. 13, p. 252-264, 2008.

BARBOSA, M. L. F. F.; SOUZA, I. P. Práticas de leitura no Ensino Fundamental. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

BEZERRA, M. A. Ensino de língua portuguesa e contextos teórico-metodológicos. In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros textuais & ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2010, p. 37-46.

_____. Textos: seleção variada e atual. In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R. (Org.). O livro didático de português: múltiplos olhares. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001, p. 33-45.

CARDOSO, S. H. B. Discurso e Ensino. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M.. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.

KLEIMAN. A.. Oficina de Leitura: teoria & prática. Campinas, SP: Pontes, 2008.

SANTOS, C. F.. O ensino da leitura e a formação em serviço do professor. Revista Teias, Rio de Janeiro, ano 3, v. 05, n. jan/jun, p. 29-34, 2002.

SOARES, M. . Concepções de Linguagem e o Ensino de Língua Portuguesa. In: BASTOS, N. B. (org.). Língua Portuguesa: História, Perspectivas, Ensino. São Paulo: EDUC, 1998.


* Texto escrito por Silvio Profirio da Silva - Graduando em Letras pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. [E-mail: silvio_profirio@yahoo.com.br]
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Publicado por Jornalismo

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