Sim, votarei nulo‏

Aos companheiros de jornada que comigo ficarão decepcionados pela postura que adotei de na vindoura eleição votar nulo, faço a observação de que assim decidi em coerência com as convicções que tenho e sempre defendi. 

Se fosse diferente negaria a tudo em que acredito, sacrificaria meus ideais em nome de um pragmatismo intolerável que a princípio pôde ser justificado em face do projeto de poder e de sua governabilidade que alçou Lula ao poder, mas que agora já ultrapassou todos os limites e reclama por uma ruptura, mesmo que tardia, demonstrada na onda de insatisfação generalizada que tomou conta das ruas do país, nos fatídicos dias de Junho que quase desaguavam num golpe de Estado e na destituição da presidenta da república na mais intrépida quebra da ordem institucional, articulada por grupos de extrema esquerda em associação com a extrema direita que juntos vislumbraram a oportunidade até então ansiada para à forcep apear o partido da hegemonia política, alcançada legitimamente nas urnas, da presidência. 

Na ausência de votos, um golpe de Estado cairia como excelente figurino, ainda que o depois seja uma tragédia anunciada, velha, surrada e conhecida que fará emergir os mesmos protagonistas da vanguarda do atraso, os entreguistas de sempre que de volta ao poder recolocarão o Brasil na condição de sub nação, satélite do império do Norte. 

A isto eles dedicam todas suas energias, envidam os mais hercúleos esforços. É hora do PT fazer o enfrentamento, por fim as aliança espúrias no congresso, buscar apoiadores em cima de uma proposta programática e não mais em troca de cargos, nacos de poder que esfacelam e desmoralizam a política. 

Trazer a sociedade para um debate franco e transparente, ser o agente das verdadeiras mudanças sem pensar em popularidade, em agradar os setores conservadores, o verdadeiro entrave dos avanços em curso que poderiam prosseguir num ritmo maior e mais veloz, radicalizando nos programas de inclusão social, distribuição de renda e emprego,  o grande desafio do partido. 

O PT deveria ter a coragem de apostar alto, pagar para ver, ser destemido ao ponto de sacudir as estruturas arcaicas que impedem as profundas mudanças que urgem e que são inevitáveis para uma nação que pretende atingir um nível de excelência comparado ao dos países do primeiro mundo.

As manifestações que tomaram conta das ruas Brasil afora foram extemporâneas, mal calculadas. Se tivessem esperado por 2014, teriam atingido o objetivo mais perseguido, a bala de prata tão aguardada para ferir de morte o PT, o que não significa que sua reedição não tenha o condão de abater a reeleição da presidenta. É improvável mas não impossível. 

Ou o partido se reoxigena, repactua suas alianças, rompe com o fisiologismo desbragado que o contamina ou esse projeto se esgarça, vai a bancarrota. O começo do fim teve inicio em Junho de 2013 com os protestos de rua. Pode ser contido ou se transformar numa marcha ensandecida de proporções oceânicas que levará de roldão o PT, suas perspectivas de reeleger a presidenta Dilma assim como seus aliados inescrupulosos, encabeçados pelo PMDB, o símbolo maior da decadência moral, da degeneração desse tipo de política que se faz nos dias que correm.

Assistir tudo de longe, apenas como mero observador, sem esboçar nenhuma reação, sem fazer uma opção política, sacramentada no voto, depositado na urna eletrônica será o passo mais difícil que darei, uma escolha de Sofia, já tomada e desde agora publicamente revelada.


* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira
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Publicado por Jornalismo

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