Cristianismo e Fascismo, uma aproximação desagradável

Depois de fazer um breve estudo histórico-filosófico sobre a doutrina Cristã e de observar vários fatos agressivos, misóginos e etnocêntricos da religião que atualmente domina o mundo acabamos por perceber uma sutil semelhança entre o regime fascista e o Cristianismo. 

Esta análise que a primeira vista parece um tanto quanto radical sendo que é evitado sempre que possível colocar a religião em "xeque", usando o vago ditado que: "religião não se discute", é observada ao estudar a linha de pensamento das duas ideologias, assim percebemos vários traços comuns em ambos.

Lembrar-se que neste escrito, não quero comparar Cristo a Mussolini, a não ser pela capacidade de persuadir as massas e sua bela dialética [Ver Gálatas 5:8], mas a ideia deste texto é mostrar principalmente semelhanças na filosofia Cristã com o regime Fascista. A analogia parte da análise dos seguidores de Cristo que distorcem as pregações do mesmo, para embasar seus próprios preconceitos ou sucumbir seus medos.

A ideologia fascista ganhou destaque no século XX quando se buscava unificar a nação através do totalitarismo estatal, promovendo assim a mobilização massiva do estado. O fascismo pregava a devoção a um líder político de forte poder com ênfase no etnocentrismo, militarismo, e ultranacionalismo. Emílio Gentile em uma das suas descrições ao fascismo diz:

[...] uma ideologia "anti-ideológica" e pragmática que se proclama antimaterialista, anti-individualista, antiliberal, antidemocrática, anti-marxista,mas populista e anticapitalista em tendência, se expressando esteticamente mais que, teoricamente, por meio de um novo estilo de política e por mitos, ritos e símbolos, como uma religião leiga projetada para aculturar, socializar e integrar a fé das massas com o objetivo de criar um "novo homem. [PAYNE, Stanley G. . [S.l.]: University of Wisconsin Press, A History of Fascism, 1914–1945. 5–6 p.]

A filosofia Cristã, por sua vez, surge com o intuito de unir ciência e fé utilizando argumentos racionais empíricos da ciência, junto a questões espirituais e dogmáticas compartilhadas no meio religioso, embasadas pelo seu livro sagrado: A Bíblia. Como uma religião não pode de maneira alguma se abster das relações

políticas vejamos o que a Bíblia, livro que embasa a filosofia do Cristão diz sobre o autoritarismo:

1 ‘’Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.’’
2 ’’Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se opondo contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.’’ [Romanos 13:1-2]

Neste trecho do livro sagrado é possível observar claramente o posicionamento Cristão acerca de qualquer forma de governo, seja ele imperial, monárquico, democrático, militar, presidencial etc. Levando em conta que o verdadeiro Cristão é o que segue a palavra da Bíblia, é cabível afirmar que quem se sujeita a práticas Cristãs, aceita de bom grado quaisquer formas de governo, sendo que de acordo com a Bíblia não há autoridade que não provenha de deus.

Devemos também analisar a Santa inquisição, movimento que surgiu nos séculos XIII e XIV fundada pelo até então Papa Gregório IX com o intuito de condenar todos que se opunham aos dogmas e tradições da Igreja Católica. Era muito comum na inquisição o uso da tortura como meio de fazer o ‘’herege’’, como era chamado quem ia de contra as ideias da igreja, confessar seus ‘’crimes’’. Muitos filósofos, livres-pensadores, pagãos, dentre outros morreram queimados em fogueiras ou de outras formas bastante cruéis aplicadas pela Eclésia.

Sabe-se que o objetivo da santa inquisição, como era chamada, foi expandir o domínio Cristão pela terra, sendo que não deveriam existir outras religiões, ou outras crenças, apenas o Cristianismo dominasse; igualmente comparável ao Fascismo e Nazismo. Onde quem desobedecesse as regras impostas pelo monopólio era morto, sob cruel tortura.

Galileu Galilei foi um exemplo famoso da insanidade Cristã da época sendo perseguido por afirmar com base nas suas teorias que a terra girava em torno do sol e não o contrário. Tendo que se explicar diante do tribunal de inquisidores.

Conclui-se, portanto que a semelhança entre os regimes extremistas governamentais e o Cristianismo tem muitos pontos em comum, perpassando pela filosofia, pela antropologia, história e sociologia, isto pode ser muito claramente

observado, cabe a cada um analisar tudo de forma racional, e não dogmática, utilizando-se de meios empíricos, e que possam ter algum embasamento.

Não quero aqui de forma alguma demonizar o Cristianismo, mas o objetivo do texto é apresentar uma visão crítica sobre a maior religião do mundo. A fé do outro deve ser sempre respeitada, mas não pode ultrapassar os limites da democracia, nem ferir a laicidade do estado. Temos o direito de acreditarmos no que quisermos, mas sempre respeitando os limites e vontades do próximo, assim podemos nos entender e nos respeitar independente de credo, raça, cor e etnia.


* Texto escrito e enviado pelo estudante Carlos Dias 
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Publicado por Jornalismo

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