ASSIS DINIZ – 03 ANOS DE MUITA SAUDADE! *

Um bom dia aos meus diletos conterrâneos.

Hoje escreverei sobre o meu irmão ASSIS DINIZ que há três anos a morte ceifou sua vida de maneira abrupta e repentina, quando estava na plenitude de seus melhores momentos profissional e familiar.

Assis Diniz é meu irmão, o quarto filho de uma família pobre, que vendo o estudo como única fonte transformadora de destinos, conseguiu lograr êxitos em sua empreitada. Já muito cedo conseguiu construir grandes laços de amizades, o que o ajudou bastante.

Mas como ficou órfão de pai aos 16 anos de idade, teve que trabalhar e tornou-se arrimo de família ainda adolescente. Aprendeu a arte da marcenaria, onde empregava seu método perfeccionista nos vários trabalhos que realizava quando trabalhava com Walter Dantas (de saudosa memória).

Mesmo trabalhando não desistia de sonhar com dias melhores, para tanto nunca abandonou os estudos, mais fazia de maneira precária e atribulada, pois tinha que estudar nas poucas horas destinadas ao almoço.

Como sempre foi detentor de boas amizades, conseguiu através do diretor do antigo CIENTE uma bolsa de estudo para que fizesse o Curso de Técnico Agrícola, e em gratidão dormia nas dependências do CIENTE, como se fosse uma espécie de vigia na companhia do então Profº José Augusto.

Como no final da década de setenta, início de oitenta o sonho ou ilusão de todo nordestino era o sudeste (São Paulo), ele que tinha sonhos a realizar, também entrou nessa aventura; pegou carona com o caminhoneiro Chico Cabeção e rumou ao sudeste, abandonando os estudos em busca de melhorias naquelas terras distantes.

A ilusão durou muito pouco. Na mesma carona que foi retornou; demorando apenas uma semana; pois viu que ali não seria o lugar onde iria realizar seus sonho e transformar sua vida para melhor.

Retornando ao Icó procurou dá continuidade ao Curso de Técnico Agrícola, o que quase não foi possível, pois como tinha bolsa integral e havia trancado a sua matrícula, precisava pagar para continuar a estudar e não tinha condições para isso, procurou obter uma bolsa de estudo com o então prefeito da época Quilon Peixoto, e como resposta o “nobre prefeito” disse que ali só estudava quem podia.

Naquele momento viu a única maneira de realizar seus sonhos transformar em frustração. Mas como o destino ainda não o havia abandonado e Deus sempre o abençoou; veio até nossa casa (na Rua do meio) o então vereador Genebaldo, trazendo uma nova bolsa de estudo que o mesmo tinha de sua cota na Câmara dos Vereadores.

Concluiu o Curso de Técnico Agrícola em dezembro de 1979, e com a indicação de Manoel Diniz, seguiu para a cidade de Jaguaruana no ano seguinte, onde conseguiu emprega-se no DNOCS, fixando moradia por muitos anos naquela cidade e onde também construiu grandes amizades. Retornou ao Icó onde ocupava na época de sua morte o cargo de Coordenador do DNOCS local.

Assis Diniz foi um homem de poucas palavras, mas sempre tinha a solução ou a ajuda norteadora para aqueles que o procurava para resolver algum problema, mas como para alguns “seres humanos” o sucesso de alguém significa a sua derrota (princípio da inveja), com ele não foi diferente.

Adquiriu muitas amizades, mas também viveu rodeado de “corvos”, que torciam constantemente por algum tropeço seu, fato que o seu perfeccionismo, sua personalidade e seu caráter, não permitiu que eles tivessem essa alegria.

Mesmo sabendo quais eram os “corvos” que se preparavam para tornarem-se seus algozes, nunca optou pela vingança ou retaliação, sempre tratou a todos indistintamente, sem mágoa ou ressentimentos. Não os viam como inimigos e sim como adversários, pois tratando-se de adversário sempre vence o melhor.

Relatei um pouco da vida deste que em primeira instância foi meu irmão, depois meu pai, meu espelho e exemplo; e por fim amigo e companheiro. Hoje devo tudo de minha vida ao que meu irmão fez por mim, pois sem ele eu não seria nada, pois copiando um pouco os seus exemplos, tornei-me o homem que sou, e consegui engatinhar, andar e depois alçar vôos graças a ele. Mas quero deixar um alerta à todos.

Nunca deixe de abraçar, beijar, elogiar; e dizer às pessoas que você ama, o quanto elas são importantes para você, o quanto você tem à agradecê-las, para que quando a morte traiçoeira e covarde as levarem para outra dimensão, vocês não sintam o que senti e ainda sinto – remorsos.

Não que eu nunca tenha agradecido ou dito ao meu irmão o quanto ele era importante para mim e o quanto eu o agradecia por tudo que havia feito por mim, mas acho que fiz pouco, deixei a distância que nos separava (Teresina (PI) – Icó) ser maior.

Deveria ter ido mais vez está com ele, deveria ter conversado mais vezes, deveria ter lhe presenteado mais, enfim, deveria ter feito e dado o melhor de mim, já que ele foi e sempre será o responsável pelo meu sucesso. Sei que sou suspeito para falar das qualidades do meu irmão, mas quem o conheceu há concordar comigo.

Que Deus tenha guardado um bom lugar para o seu descanso eterno, já que em sua passagem nessa vida foi um bom filho, irmão e pai e que reencarne em outras vidas com as mesmas qualidades que lhe eram peculiares. Estarei sempre a rezar pela sua alma.


“A marreta da morte é que tão pesada, que a pedreira da vida não agüenta”

* Texto escrito por Damião Diniz – Teresina (PI), 18 de dezembro de 2009
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Publicado por Jornalismo

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